
foto: Edmundo Peggion
Lenda Parintitin
Os parintintins nunca tinham visto fogo. Para obter comida quente, armavam um moquém (grelha feita de varas) com a caça e deixavam-no ao sol.
Pediram então, ao semideus Bahira, que lhes desse um pedaço do sol.
Prometendo atendê-los, Bahira entrou na floresta e fez um “onimbó-é” (ardil para enganar alguém) a fim de enganar o detentor do fogo, o urubu-rei.
Deitou-se fingindo-se de morto, atraindo assim a mosca varejeira, que o cheirou e apressada foi buscar o pássaro.
Pensando em regalar-se com o estômago do índio, não tardou, e assim que o urubu foi colocar fogo, Bahira se aproveitou para roubar-lo e fugir.
Percebendo o que acontecera, o urubu-rei reuniu sua gente e saiu em perseguição ao índio, mas ele se escondeu numa moita de taquara e conseguiu escapar.
Chegando à beira de um rio, o semideus chamou a cobra e pôs-lhe fogo nas costas, para que ela o levasse à outra margem. Inteiramente queimada, a cobra morreu.
Chamou o camarão e, tomando o fogo, fez a mesma coisa. O camarão, ficou muito vermelho e também morreu.
Colocou ainda o fogo nas costas do caranguejo que teve a mesmo destino dos companheiros.
Bahira já estava começando a ficar preocupado. Tentou uma vez mais com a saracura, e a pobre ave ficou como os outros.
Quando já não sabia mais o que fazer, apareceu o sapo cururu, que tem o costume de engolir brasas, julgando que são vagalumes.
Engoliu o fogo e carregou-o até a outra margem, onde estavam os parintintins.
Como recompensa o sapo cururu foi então nomeado o pajé da tribo.
Lendas Indígenas - Editora Aquarela